Abrangência de “Conselho de Paz” preocupa Brasil

 O governo brasileiro demonstra preocupação com a abrangência do chamado “Conselho de Paz”, proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

A iniciativa americana, que inicialmente parecia focar apenas na questão do conflito em Gaza, revelou-se mais ampla, gerando receios sobre sua real função e alcance no cenário internacional. Informações são de Isabel Mega no Live CNN.

De acordo com a analista de Política da CNN, a principal preocupação do Brasil está relacionada ao escopo deste Conselho, que poderia analisar qualquer tipo de conflito global, não se limitando apenas à situação no Oriente Médio.

 “A dificuldade é o alcance que esse Conselho teria. Daí é que se tem essa leitura de que poderia haver uma certa competição com o próprio Conselho de Segurança da ONU”, explicou.

A carta fundadora do Conselho de Paz menciona uma abordagem genérica e abrangente que permitiria ao órgão americano intervir em diversos conflitos internacionais. Isabel Mega cita como exemplo a situação na Groenlândia, onde já existe um reforço de segurança e ameaças que poderiam evoluir para um conflito. 

“Como o escopo desse Conselho de Paz vai além das fronteiras de Gaza, ele olha para outros conflitos, ele deixa de maneira bem genérica, bem abrangente, isso é uma baita dificuldade”, destacou a analista.

O Brasil, que tem sido crítico ao atual funcionamento do Conselho de Segurança da ONU

 – especialmente quanto ao poder de veto de alguns países 

– agora se vê diante de um dilema diplomático. 

Durante o terceiro mandato do governo Lula, o país enfrentou dificuldades para aprovar resoluções relacionadas ao Oriente Médio no Conselho de Segurança, esbarrando justamente nos vetos.

Segundo Isabel Mega, o governo brasileiro não pretende deixar o assunto “em banho-maria”, mas reconhece a complexidade da situação. 

“É um convite perigoso. Se for recusar, você tem que construir de alguma maneira uma linha argumentativa que pode colar ou não, e que pode representar um avanço ou não nas relações que a gente tem hoje construídas a duras penas com os Estados Unidos nesse governo”, afirmou.

O presidente brasileiro teve agendas extensas com conselheiros na área internacional, mas ainda não chegou a uma resposta definitiva sobre a participação no Conselho proposto por Trump. 

A mudança de perspectiva, de um foco específico em Gaza para uma abordagem mais ampla sobre conflitos no plural, elevou o nível de preocupação e exige uma análise mais aprofundada por parte da diplomacia brasileira.

 CNN Brasil  /  #santanoticia

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