Ministra da Saúde tomou apenas uma dose de reforço da vacina contra Covid em 2024

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, de 66 anos, tomou apenas uma dose de reforço da vacina contra a Covid-19 em 2024, contrariando a recomendação oficial do próprio Ministério da Saúde, que orienta duas doses anuais para idosos, com um intervalo de seis meses.
A informação foi obtida por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e indica que, apesar da diretriz estabelecida pela pasta, Nísia não teria tomado a segunda dose dentro do período recomendado.

Segundo o documento “Estratégia de Vacinação Contra a Covid-19”, publicado pelo Ministério da Saúde em 2024, pessoas a partir de 60 anos devem receber uma dose a cada seis meses, independentemente da quantidade de doses prévias. Como a ministra tomou uma dose de reforço em fevereiro de 2024, ela deveria ter recebido a segunda a partir de agosto do mesmo ano, o que não ocorreu, de acordo com os registros de sua carteira de vacinação.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que “a ministra Nísia Trindade tomou seis doses da vacina contra a Covid-19 e atualizará sua caderneta nesta semana”.

A recomendação para duas doses anuais em idosos se dá pelo fenômeno da imunossenescência, que é o envelhecimento do sistema imunológico, tornando esse grupo mais vulnerável a infecções e com menor resposta à vacina. Por isso, desde dezembro de 2023, a vacinação contra a Covid passou a ser parte do Calendário Nacional de Vacinação, tornando-se rotina para idosos e gestantes.

O caso ocorre em meio a desafios enfrentados pelo Ministério da Saúde na vacinação. A pasta incinerou R$ 1,9 bilhão em vacinas e medicamentos nos últimos dois anos, volume três vezes maior do que o registrado na gestão anterior.

Além disso, em 2024, 10,9 milhões de doses de vacinas contra a Covid perderam a validade e foram descartadas, enquanto outras 12 milhões de doses estavam vencidas e deveriam seguir o mesmo destino.

Até o momento, o Ministério da Saúde não anunciou uma campanha de vacinação contra a Covid para 2025, o que tradicionalmente ocorria no final do ano anterior. A ausência de um cronograma claro pode comprometer a adesão da população à imunização, especialmente entre os grupos prioritários.

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