Segundo o documento “Estratégia de Vacinação Contra a Covid-19”, publicado pelo Ministério da Saúde em 2024, pessoas a partir de 60 anos devem receber uma dose a cada seis meses, independentemente da quantidade de doses prévias. Como a ministra tomou uma dose de reforço em fevereiro de 2024, ela deveria ter recebido a segunda a partir de agosto do mesmo ano, o que não ocorreu, de acordo com os registros de sua carteira de vacinação.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que “a ministra Nísia Trindade tomou seis doses da vacina contra a Covid-19 e atualizará sua caderneta nesta semana”.
A recomendação para duas doses anuais em idosos se dá pelo fenômeno da imunossenescência, que é o envelhecimento do sistema imunológico, tornando esse grupo mais vulnerável a infecções e com menor resposta à vacina. Por isso, desde dezembro de 2023, a vacinação contra a Covid passou a ser parte do Calendário Nacional de Vacinação, tornando-se rotina para idosos e gestantes.
O caso ocorre em meio a desafios enfrentados pelo Ministério da Saúde na vacinação. A pasta incinerou R$ 1,9 bilhão em vacinas e medicamentos nos últimos dois anos, volume três vezes maior do que o registrado na gestão anterior.
Além disso, em 2024, 10,9 milhões de doses de vacinas contra a Covid perderam a validade e foram descartadas, enquanto outras 12 milhões de doses estavam vencidas e deveriam seguir o mesmo destino.
Até o momento, o Ministério da Saúde não anunciou uma campanha de vacinação contra a Covid para 2025, o que tradicionalmente ocorria no final do ano anterior. A ausência de um cronograma claro pode comprometer a adesão da população à imunização, especialmente entre os grupos prioritários.
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